Entropia.
A janela do meu carro contém imagens do meu cotidiano. Vejo os espelhos do meu presente refletindo a monotonia de meus passos eu um trajeto totalmente seguro. Segurança. Sanidade. Tranquilidade. Entropia.
Os sistemas passam despercebidos em muitos lugares. Estão lá mas não enxergamos bem, porque os sistemas mais complexos e mais brilhantes funcionam sem que tenhamos que conhecer profundamente cada elemento de sua maquinaria. A beleza da complexidade. O perigo da complexidade.
Mas tudo ruma ao caos. Entropia. Para, no caos, rumar à calmaria. Se pararmos para pensar é sempre assim nas nossas vidas. Se você é mulher, geralmente uma vez por mês você joga tudo no caos. Sua tensão pré-menstrual lhe deixa com vontades assassinas. O assassinato da paciência dos outros. O fim da paz.
A paz. Por que só contamos os anos de paz em tempos de guerra e, em tempos de paz nós só lembramos da guerra que passou e imaginamos quando virá a próxima? Países, amores, amizades. Território conquistado, bombardeado e tranquilizado, inúmeras vezes.
Entropia.
Na janela do meu carro eu vejo o movimento passar e uma súbita febre me deixa zonzo. As coisas passam rapidamente, mas a folha que eu focalizo passa devagar, incólume na agitação. A balbúrdia não afeta o som do seu lindo voo. Vejo a folha voando e, quando esperava que esta tocasse o solo, ela me prega uma peça e acerta meu olho. Tudo se quebra como vidro e minha visão escuresse. Entropia. Não só na termodinâmica, não só nos sistemas gerais, não só no caos calculado e na probabilidade incalculável. Nas nossas vidas. Porque tudo piora, só pra melhorar depois, para ter um gostinho de cair no caos de novo e de novo.
Meu amor, você sabe o quanto admiro o seu jeito de escrever, sempre te incentivo a continuar, não parar, pois tu escreve muito bem né. Agora, valeu por mais uma homenagem a minha pessoa nesta crônica.
A minha tpm, além de mim, é realmente inspiradora kkk.
Te amo!!
Marcela